O Grupo de Pesquisa Laboratório de Educação STEAM Maker, do Instituto Federal de Educação, Ciencia e Tecnologia da Bahia (IFBA) – campus Salvador, encerra 2025 com uma série de conquistas nas áreas de pesquisa, extensão e inovação pedagógica. Sob coordenação de Rafaelle Souza, o grupo consolidou seu trabalho com foco em Física Moderna e Quântica, Educação STEAM Maker, metodologias ativas e perspectivas decoloniais de ensino, alcançando reconhecimento interno e projeção nacional e internacional.
Segundo a professora doutora Rafaelle, o período foi marcado por consolidação e crescimento, com ações que reafirmaram o laboratório como referência em ensino, pesquisa e divulgação científica. Um dos principais marcos foi a captação de recursos. De acordo com a coordenadora, a aprovação da IV Semana Quântica em edital do CNPq resultou na captação de R$ 90 mil, o que possibilitou o fortalecimento da estrutura do laboratório e a ampliação do alcance de suas ações educativas.
O evento ainda recebeu o Prêmio Even3 – Eventos do Ano, “evidenciando o protagonismo do IFBA na promoção da divulgação científica e do acesso democrático ao conhecimento”, defende Rafaelle. Trata-se de uma premiação nacional anual que a plataforma Even3 promove para destacar e reconhecer os melhores eventos, on-line e presenciais, de diversas categorias, por sua organização, inovação, impacto educacional e engajamento do público.
Projeção além das fronteiras
O grupo também obteve expressiva inserção nacional e internacional, com participação e apresentação de pesquisas em eventos científicos de grande relevância, como congressos internacionais e encontros acadêmicos, além da publicação de artigos científicos e relatos de experiência, que abordaram temas como divulgação científica em ambientes digitais, currículo plural, representatividade na ciência e desenvolvimento de competências científicas, técnicas e socioemocionais por meio da Educação STEAM Maker.
A projeção do grupo ultrapassou fronteiras com a participação no 27º Congresso Internacional de História da Ciência e Tecnologia, ocorrido na Universidade de Otago, em Dunedin, na Nova Zelândia. Rafaelle Souza destacou que a apresentação de pesquisas sobre popularização da Física Quântica no evento foi um marco para a inserção internacional do laboratório. A pesquisadora foi uma das/os cinco brasileiras/os participantes de um congresso que é considerado o principal encontro mundial de história da ciência e tecnologia.
No segmento inovação, o laboratório se destacou no campo digital, com o lançamento do podcast “Fisicamente”, que se configurou como uma nova plataforma para o ensino da Mecânica Quântica. “A ideia foi criar uma ferramenta acessível, que ampliasse o diálogo com públicos diversos”, explicou a professora, mencionando ainda a visita de um físico norte-americano, Byron Freelon, da Universidade de Houston, para gravação especial de entrevista exclusiva, que fortaleceu as redes de colaboração.
Internamente, o reconhecimento veio por meio de premiações. De acordo com Rafaelle Souza, o grupo conquistou o 1º lugar em duas modalidades no Prêmio IFBA Campus Salvador de Pesquisa e Extensão, evidenciando a relevância acadêmica e o impacto social das atividades desenvolvidas: o trabalho “Pesquisa em divulgação científica da física quântica”, na modalidade Pesquisa, e “Quando o quântico ganha voz”, na modalidade Extensão. A iniciativa teve como objetivo identificar, reconhecer e valorizar experiências desenvolvidas por discentes, docentes, técnicos/as administrativos/as e, na edição de 2025, incluiu a comunidade egressa.
Protagonismo estudantil

A coordenadora enfatizou o protagonismo discente como um pilar fundamental. Segundo ela, alunos da Licenciatura em Física e dos cursos técnicos participam ativamente de projetos, fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Esse envolvimento resultou, por exemplo, em três equipes finalistas no Prêmio Inova IFBA, com projetos inovadores. Entre os destaques estão o “Techpark: dispositivo detector de Parkinson”, na categoria Growth, e o “BusquEdital: sua porta de entrada para um mundo de oportunidades”, na categoria Collab, envolvendo estudantes e servidoras.
As estudantes pesquisadoras do grupo e seus respectivos são:
- Alice Velame – Técnico em Edificações
- Ana Terra – Técnico em Refrigeração
- Lara Benvindo – Técnico em Refrigeração
- Dalila Dourado – Técnico em Mecânica
- Ariane Benedito – Licenciatura em Física
- Camila Fernandes – Licenciatura em Física
A inovação curricular também foi uma prioridade. Rafaelle Souza explicou que o grupo apresentou pesquisas sobre a descolonização do ensino de Física em eventos, como o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), incorporando perspectivas afrocentradas para um currículo mais plural. “Nossos estudos comprovam a eficácia da metodologia STEAM Maker, mostrando o desenvolvimento de competências científicas e socioemocionais nos estudantes”, afirmou.
Diante do balanço do ano, a professora avalia que os resultados em financiamento, premiações e internacionalização foram altamente positivos. “Iniciativas complementares, como a proposta “Ciência dos Excluídos”, qualificada no Prêmio Educador Transformador, e oficinas sobre Fundamentos da Mecânica Quântica realizadas em outras duas instituições, reforçam o compromisso do laboratório com a formação de futuros cientistas e educadores comprometidos com a inovação e a transformação social”, finalizou Rafaelle Souza.
Método STEAM Maker
Um laboratório STEAM Maker é um espaço de aprendizagem prático e interdisciplinar que integra Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM) com a filosofia “faça você mesmo” (Maker), focando em criatividade, inovação e resolução de problemas, através da construção de protótipos e projetos, com o uso de tecnologias, como robótica e programação.
Esses laboratórios, como o do IFBA, visam desenvolver o pensamento crítico e habilidades do século XXI, transformando teoria em prática e incentivando a educação científica de forma engajadora. No campus Salvador, o Laboratório STEAM Maker foca em divulgação científica para combater fake news, pesquisa e extensão, envolvendo alunos e professores em projetos práticos.
Recentemente, foi publicado na revista Ensino de Ciências e Tecnologia em Revista – ENCITEC, artigo de autoria da pesquisadora Rafaelle Souza intitulado “Educação STEAM Maker na pesquisa e extensão“, que apresenta análise de relatos de experiência de estudantes do Laboratório de Educação STEAM Maker, mostrando como sua participação em projetos de pesquisa e extensão favoreceu o desenvolvimento de competências e habilidades.
por Andréa Costa — publicado: 16/12/2025 19h54, última modificação: 17/12/2025, 09h20. Acesso.